O ovo e a galinha

Já todos ouvimos falar do dilema de causalidade que surge da expressão "O que veio antes, o ovo ou a galinha?".
De acordo com a teoria da evolução, a resposta do paradoxo é que o ovo veio primeiro. O ovo é o ancestral da galinha (não é uma galinha propriamente dita) e, com a mutação que resulta, temos a galinha. Mas para os criacionistas, a galinha veio antes, criada por Deus no início dos tempos.
Bom, serve esta introdução para revelar que ainda não cheguei a qualquer conclusão sobre o cronista lagarto da Bola, o Ernesto Ferreira da Silva. O que terá vindo antes, o fanatismo ou a estupidez?
Todas as semanas, aos sábados, no jornal A Bola, o Ernesto Ferreira da Silva defende o seu sporting pela forma mais habitual dos lagartos: O anti-benfiquismo primário.
Veja-se, com atenção, a teoria que os seus quatro neurónios - um por cada campeonato ganho pelo sportem desde 1980 - conseguiram desenvolver esta semana: "30 milhões vs 8 milhões".
Resumidamente, a direcção do Benfica, para acalmar os ânimos dos seus adeptos, terá engendrado uma forma de, aparentemente, ter vendido o Fábio Coentrão por 30M€ quando, na realidade, terá recebido somente 8. E explica as contas:
- Anúncio de venda por 30;
- Acordo da venda por 20;
- Acordo de compra de um jogador ao clube comprador por 12M€;
- 20% do passe vendido ao fundo por 3M€;
- Comissão ao empresário, "seguramente", de 2 a 3M€;

Portanto, dos 30, abatem-se 6 para o fundo, 12 para o clube comprador, 1 para o clube formador, 3 para o empresário. E chega aos 8.

E é assim que um lagarto anti-benfiquista primário se consola. O Benfica, na sua opinião e para sua consolação, vendeu o Fábio Coentrão por 8M€.

Por onde hei-de começar? Mesmo partindo do pressuposto errado de que os seus pressupostos estão certos...
- A compra de um passe significa que um clube tem um jogador à disposição. Se não o comprasse ao clube comprador, teria que comprar a outro qualquer; E esse jogador há-de valer alguma coisa;
- Saem 6M€ para o fundo mas, além do Benfica ser detentor de 15% do fundo (0,9M€), já recebeu 3M€ há 2 anos (-0,45M€). E não pagou juros por isso. E o fundo tem que ganhar dinheiro. Caso contrário, não existiria; E nem valerá a pena abordar o custo de oportunidade de não ter o dinheiro do fundo disponível para o investimento...

Assim de repente, em vez de 8, já são 11,45M€.

Mas o Garay custou 5,5M€ e não 12. Ainda mais de repente, 16,95M€.

É certo que o clube formador recebe 5% do valor da transferência. Em vez de 1M€ referidos, são 1,5M€. Afinal é 16,45M€. No entanto não sabemos se, a este valor, não terá sido retirado qualquer coisa do empréstimo do Nélson Oliveira, por exemplo.
De acordo com a imprensa, a comissão do Jorge Mendes terá ficado por 1M€. Vamos em 18,45M€
E os juros, a dois anos, de 2,55M€ serão, grosso modo, à taxa de juro em vigor, uns 0,5M€.
Chegámos aos 19M€ e temos um defesa central de 25 anos, internacional argentino, ex-Real Madrid.
E não nos esqueçamos que, se as expectativas não saírem defraudadas, poderemos sempre vender o Garay por uns 10M€ no futuro. Retornam 5M€ à nossa conta, utilizámos um jogador e não tivemos que comprar outro qualquer que, a menos que fosse um reforço à sportem - "Romagnolis e Farneruds" - não custaria menos do que uns 5 M€...

E assim se aguarda pela estreia do nosso Benfica na pré-época 2011-12!

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